Siga-nos por e-mail

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

MANIFESTO





Pelo fim da tauromaquia nos Açores


Desde o século XIX, muitas têm sido as vozes açorianas que se têm insurgido contra as práticas tauromáquicas, entre as quais se destacam: a escritora Alice Moderno, o médico Alfredo da Silva Sampaio, o militante social Adriano Botelho e o professor universitário Aurélio Quintanilha.

É cada vez maior o número de pessoas que entende a tauromaquia como uma expressão de insensibilidade e violência, que deseduca e anula o sentido crítico individual e coletivo.

Nos últimos anos, têm sido publicados estudos que reconhecem que crianças e adultos que assistem a práticas tauromáquicas tornam-se pessoas tendencialmente mais agressivas e violentas.

A ciência comprova que a tourada, como conjunto de práticas cruentas, é causadora de dor e sofrimento a mamíferos que, como os touros e os cavalos, têm um sistema nervoso muito parecido com o humano.

Estando as sociedades em constante evolução, a tradição não pode servir para legitimar ou justificar a continuação de práticas cruéis e violentas. Por esse motivo e pelo reconhecimento de que uma sociedade que se diverte perante o sofrimento alheio não é uma sociedade saudável, são cada vez mais os países, regiões e municípios por todo o mundo a proibir a prática da tauromaquia e outros espetáculos violentos com animais.

Nos Açores, tal como no resto do país, num contexto socioeconómico de dificuldades extremas para o cidadão comum, o estado continua a financiar a tauromaquia com milhões de euros do erário público, sem que isto tenha qualquer impacto no desenvolvimento da economia, beneficiando apenas um pequeno grupo de empresários tauromáquicos.

Para combater e contribuir para a alteração da situação atual, o Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia dos Açores (MCATA) organiza-se como um coletivo informal de pessoas que apoia a total abolição de todas as práticas tauromáquicas e adota os seguintes princípios:

● Independência face a qualquer outro tipo de grupo social constituído, como partidos políticos, organismos oficiais, grupos económicos, crenças religiosas ou outros grupos de interesse;
● Sem fins lucrativos, todo o trabalho é estritamente voluntário;
● Sem quaisquer hierarquias, é privilegiada a discussão e o consenso como principal método de tomada de decisões.
● A não-violência, o respeito pelo outro e o diálogo estão na base de todas as iniciativas e intervenções.


O MCATA faz um apelo à união de todas as pessoas que lutam pela abolição da tauromaquia e defende a cooperação solidária com todas as organizações abolicionistas da região, e também ao nível nacional e internacional.

Por último, o MCATA compromete-se a lutar para que a Região Autónoma dos Açores acabe com qualquer apoio logístico e financeiro à tauromaquia e invista, antes de mais, nas necessidades básicas dos cidadãos, como a educação, a saúde, a habitação, a ação social, os transportes e na criação e fixação de postos de trabalho, considerando sempre como uma prioridade a conservação, defesa e respeito pelo ambiente, e pelo próximo, nos Açores.

Por uma região sem crueldade e sem violência, junta-te ao MCATA!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Martírio de um boi




Martírio de um boi

Há cerca de 15 dias, um automóvel foi de encontro a um boi, que puxava uma carroça da Ribeira Grande. O animal ficou com o corpo cheio de contusões e uma perna partida.

A culpa foi do carroceiro que transitava sem lanterna (eram 2 horas da manhã), mas quem pagou as favas foi o desgraçado do ruminante. Caído a verter sangue, ficou exposto à curiosidade pública, sem que ninguém lhe acudisse, até às 12 horas do dia. Parece que o mais racional e o mais humanitário teria sido, logo que a polícia teve conhecimento do caso, ter solicitado o serviço do sr. Veterinário distrital, que da forma mais rápida, como perito que é, faria cessar o sofrimento do infeliz.

Nada disso se fez, porém, e assistiram àquele lamentável espetáculo, indigno de uma cidade civilizada, quantos durante tão ao longo tempo transitaram pela Calheta, que é como se sabe uma das ruas mais movimentadas da cidade!

Só ao meio dia surgiu uma carroça destinada a transportar para o matadouro a vítima do acidente. Para içar o desgraçado quadrúpede, já cheio de escoriações, para a mesma, praticaram-se ainda requintes de ferocidade que aos próprios familiares ao Santo Ofício fariam arrepiar. “A Sociedade Micaelense Protetora dos Animais” na pessoa do seu dedicado sócio, sr. Luís J. de Carvalho, tentou intervir, empenhando-se com a polícia para que o boi fosse morto no local onde caíra nobremente, vítima de um acidente de trabalho. À economia do dono do animal, porém, não convinha esta solução, por isso pretendia vender-lhe a carne para um açougue, o que parece não conseguiu. Como tudo isto é profundamente triste e deprimente para a nossa espécie!

(A Folha, nº 600, 6 de Julho de 1914)